A pegada de carbono tem gênero, e a diferença é significativa. Um estudo do Instituto Grantham (London School of Economics) revela que as mulheres emitem em média 26% menos gases de efeito estufa por ano que os homens na França. Enquanto eles geram cerca de 5,3 toneladas de CO₂ equivalente, elas ficam em 3,9 toneladas – um padrão que se repete globalmente, incluindo no Brasil.
O comportamento explica a disparidade: homens usam mais carros particulares, enquanto mulheres optam por transporte coletivo ou ativo. Na alimentação, o consumo de carne é maior entre homens, outro fator de impacto. A pesquisa destaca que a crise climática não é só sobre tecnologia – é moldada por hábitos cotidianos e normas culturais.
“Não se trata de apontar culpados, mas de reconhecer que gênero influencia diretamente nosso impacto ambiental”, afirma Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan. Outro estudo brasileiro corrobora: 52% das mulheres têm planos concretos para um estilo de vida mais sustentável em 2026, contra 43% dos homens. A diferença também aparece na percepção de risco: mulheres são mais conscientes sobre futuras crises climáticas.
Os dados mostram que a transição justa precisa de lentes de gênero – e que mudar hábitos pode ser tão poderoso quanto inovar tecnologicamente. 🌱♻️
