Um levantamento internacional publicado no The Lancet Planetary Health mostra um dado alarmante: quase 30% dos antibióticos consumidos por humanos acabam parando em rios, lagos e outros corpos d’água. Esses resíduos, muitas vezes não metabolizados, são excretados e entram no meio ambiente por esgotos sem tratamento adequado.
Em países da América Latina, Ásia e África, a concentração de antibióticos em rios pode ultrapassar em até 500 vezes os níveis considerados seguros.
A presença constante desses resíduos favorece o surgimento de bactérias resistentes, que desafiam tratamentos médicos e ampliam a crise global de resistência antimicrobiana. O uso excessivo e muitas vezes desnecessário de antibióticos, aliado à falta de políticas públicas eficazes, cria um cenário perigoso e silencioso.
🔎 Outros dados do estudo:
- Foram analisadas 471 mil amostras de água em 116 países
- 95% dos antibióticos detectados vêm de uso humano
- 23% das amostras continham concentrações acima do limite seguro
Sem infraestrutura de saneamento e políticas de controle, o risco é global — mas os impactos são sentidos localmente, em cada copo d’água.
