A poucos meses da COP30, Belém sente o impacto da corrida por hospedagem. A organização da conferência está encarando orçamentos exorbitantes: até R$ 25 mil a diária por quarto em redes como Radisson e Tivoli, o equivalente ao preço de um carro compacto por noite. Com 35 integrantes da equipe oficial em busca de acomodações durante o evento, surge uma alternativa inesperada: instalar chefes da COP em uma base militar local.
Preços de até R$ 25 mil por diária mostram a especulação saindo do controle.
O Ibis Styles ofereceu preços mais “modestos”, entre R$ 6 000 e R$ 6 500 por quarto. Ainda assim, representa quase 1000% acima da média histórica. Isso motivou uma ação da Senacon, a secretaria nacional do consumidor que enviou ofícios aos hoteis, questionando prática supostamente abusiva.
A escassez é real: Belém tem cerca de 18.000 leitos na região metropolitana, com déficit estimado em 14.000 durante a cúpula. A Secop30 busca soluções, inclusive bases militares, motéis e imóveis particulares, para garantir acomodar 50.000 visitantes. O ministério ressalta que nenhum contrato foi assinado até o momento.
Enquanto isso, moradores e delegações enfrentam essa bolha de preços. A situação levanta questões: quem aquela estadia supostamente “luxuosa” beneficia, e quem fica de fora? Além do desconforto imediato, a reputação do Brasil como país anfitrião está em jogo. Agora, resta saber: Belém vai conseguir equilibrar o glamour das cenas com preços justos ou a COP30 será lembrada como palco do “chá de hotel milionário”?
